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Posts tagged “Eleições 2010

Standing at the crossroads

Os links para matérias cujos dados são citados no texto estão no fim deste post.

Perdoem o título em inglês, mas é inevitável que o presente não me remeta à célebre música de Robert Johnson. Eu realmente estou numa encruzilhada. Falar de eleições presidenciais, nessa altura do campeonato, é chover no molhado. Porém sinto-me na obrigação não de justificar, pois o voto é secreto, mas de compartilhar uma reflexão que vem durando dias e dias.

O leitor não precisa pesquisar muito este blog para saber que nunca defendi fervorosamente o governo petista, tampouco apoiei a candidatura de Dilma Rousseff. O que sempre defendi foi o voto facultativo ou nulo, no caso de nenhum candidato ir a favor dos princípios de cada um. E o fato é que nem Dilma, nem Serra vão a favor dos meus princípios. Talvez porque eu acredite num mundo demasiado justo, humano. E talvez por isso eu tenha votado num candidato que sabia não ter a mínima chance de ir para o segundo turno, porém ele era o que mais perto chegava daquilo que acredito.

Por um lado o governo petista está pondo em prática o projeto de Belo Monte, esquecendo-se propositalmente dos povos indígenas que vivem na região e que ficarão sem lar (entre tantos outros males). Sem uma boa justificativa, já que a hidrelétrica só funcionará com força total por apenas três meses ao ano e construtoras lucrarão alguns bilhões de reais. Este mesmo governo incentivou muito o uso do automóvel, algo que vai completamente contra as práticas de países desenvolvidos no que diz respeito a redução na emissão de CO2. Nas grandes cidades, o aumento da frota de transporte individual é inversamente proporcional a qualidade de vida. As pessoas gastam mais horas presas em engarrafamentos, a qualidade do ar diminui, o índice de mortes no trânsito aumenta e aumenta também a barreira entre os habitantes, dando-se prioridade ao individualismo ao invés do coletivo. E quando se fala em individualismo, deve-se levar em conta outras práticas que são consequências disso, como o elevado grau de consumismo, para citar apenas um exemplo.

Por outro lado temos a candidatura de José Serra que, mais uma vez, não concluiu seu mandato (dessa vez como governador do estado de São Paulo). Começando por aí, vê-se uma pessoa nada comprometida. Nunca estive em São Paulo, a não ser de passagem, então pouco posso falar sobre o que acontece por lá. Mas acompanho de perto movimentos oriundos da capital paulista de pessoas que lutam por um trânsito mais humano (lê-se menos carros, mais bicicletas e mais transporte público de qualidade). O que leio a respeito é desanimador e pode ser visto sob  dois pontos. 1º: total desrespeito a ciclistas e pedestres (esquecendo-se que todo motorista também é um pedestre), com obras  destinadas ao fluxo de veículos e financiadas pelo governo estadual sendo inauguradas antes mesmo de ficarem prontas. Largas avenidas sem passarelas para as pessoas e a derrubada de árvores centenárias para dar lugar a mais pistas de rodagem. 2º: o PSDB é um partido que privilegia minorias, no caso, a motorizada. E isso que Serra se diz ambientalista, o que é uma grande mentira.

Ainda sobre José Serra, em nenhum momento ele disse que não construiria Belo Monte ou que tomaria providências para a redução na emissão de CO2 (muito pelo contrário, como já foi provado). Então nestes pontos ele e Dilma estão empatados. Entretanto o que está em jogo é muito mais que a construção de uma hidrelétrica ou de rodovias. Ao lado do tucano está o PiG (Partido da Impensa Golpista) que, em atos de puro desespero, cavocam o atual governo atrás de escândalos, quando não os inventam. Quando a função da imprensa seria o de informar imparcialmente (princípio da imparcialidade, a primeira coisa que um aluno de jornalismo aprende na faculdade), o que ela faz hoje é difamar e apoiar um candidato que a beneficie futuramente. E isso é o que o PSDB sempre fez, deixou a maior parte do povo de lado para beneficiar uma pequena minoria da elite.

Isso quando o partido não toma atitudes absurdas, como o que Yeda Crusius fez aqui no Rio Grande. Durante seu governo, houve um sucateamento da educação. As faculdades de artes da UERGS permaneceram de portas fechadas para novos alunos durante três anos! Isso sem contar na grande fraude do Detran. “Ah, mas e o mensalão?”, diriam alguns. Sim, o mensalão foi um grande escândalo do governo Lula e este é um dos motivos para o partido jamais ter recebido meu apoio. Mas agora compare a cobertura da mídia sobre os dois casos. Graças ao PiG, o mensalão ainda está na boca do povo enquanto que a fraude do Detran já está praticamente esquecida. Ambos foram atos vergonhosos e seus responsáveis merecem punição.

A imagem que o PiG nos vende é “se é bom para o povo, é ruim para você”. Mas tem algo errado aí, não? Eu, você e mais 190 milhões de brasileiros não somos esse tal de povo? Vendem a imagem de que o nordestino é burro e que vota com a barriga, mas o nordeste nunca esteve tão bem economicamente como nos últimos anos. Se o que é pobre é ruim, então por que o estado mais rico do país elegeu Tiririca e mais uma corja a suas custas? Falam de comodismo no que se refere ao Bolsa Família, mas esquecem de dizer que foi graças a este programa que muitas famílias conseguiram se erguer financeiramente e caminhar com suas próprias pernas. E o que dizer então sobre o programa Luz Para Todos ou Minha Casa, Minha Vida? Se você está lendo este texto debaixo do teto que conquistou com muito esforço, algum motivo para acreditar que outros não possam ter essa oportunidade? Quem se beneficia de tais programas não está simplesmente ganhando, está recebendo apoio, o que é diferente. E se você reclama que a classe média não foi beneficiada pelo governo, lembre-se que provavelmente seu carro zero ou seus eletrodomésticos foram comprados em época de IPI reduzido. E isso tudo, segundo o PiG, é péssimo para o crescimento do país.

Eu já disse que o PiG (ok, vou dar nome aos bois! Veja, Época, Zero Hora, Rede Globo…) apóia descaradamente José Serra, não? Seja esse apoio por meio de difamação, distorção ou omissão de fatos. E falo “descaradamente” porque eles insistem em dizer que são imparciais. E também já falei alguma coisa sobre o que a Yeda fez com a educação no Rio Grande, certo? Então o que dizer sobre o programa de Serra para a educação, com bônus para os professores das escolas com melhor desempenho? Como andei lendo por aí, quem vive de bônus é vendedor (não desmerecendo quem é, por favor!), professor – uma das mais nobres profissões que existem – merece é salário e aposentadoria dignas. Merece um plano de carreira a altura da função que exerce e mais incentivo para que jovens queiram trilhar o caminho da educação. Essa de querer manter o povo burro para que a maior parte da riqueza possa ficar nas mãos de poucos é um pensamento digno de idade média, além de muito egoísta, claro. Serra também promete, caso eleito, elevar o salário mínimo para R$ 600 ainda em 2011. Isso é mentira apenas por que, perante a lei, é impossível. O reajuste de salário mínimo é feito no mês de janeiro com pagamento em fevereiro. E este aumento deve ser sansionado pelo Presidente da República no ano anterior. Então como que José Serra dará aumento no salário mínimo já em 2011 se o presidente, até o fim de dezembro, será o Lula? E já há um reajuste previsto para pouco mais de R$ 600 em 2012.

Eu poderia passar horas escrevendo o que candidato A tem que B não tem e vice-versa, mas não o farei. O que me fez tomar a difícil decisão de declarar meu voto em Dilma Rousseff ao invés de votar nulo ou me abster foi justamente a campanha de José Serra e o PiG. Serra, em atos de puro desespero, está mostrando quem realmente é. Ele e seus aliados: inclusive a Igreja Católica, que inventa mentiras para que os fiéis não votem em Dilma. A igreja, aliás, por não pagar impostos não deveria se meter em política. Então eu penso: é realmente isso o que quero para meu país, meu futuro e o futuro dos meus filhos? Um governo que só pensa em minorias abastadas, se baseia na mentira e em promessas que não podem ser cumpridas, se pinta de verde pra dizer que é ambientalista e não está nem aí para a educação e bem-estar do povo? Definitivamente não é esse o país que quero. Embora Dilma Rousseff não represente o ideal pra mim, me sinto obrigado a impedir que um homem sem princípios assuma o controle do país e venda para estrangeiros o pouco que ainda é NOSSO.

Links:

O voto no Nordeste para além do preconceito (Fórum)

Serra, quem vive de bônus é vendedor; profissional da educação merece é salário e aposentadoria digna!, por Augusto da Fonseca.

Serra não pode definir salário mínimo de 2011, diz ministro do trabalho (G1)

O que é o Partido da Imprensa Golpista?

Informações sobre a construção da usina de Belo Monte

Igreja Católica imprime milhões de panfletos contra Dilma (R7)

Fundação norte-americana denuncia esquema golpista patrocinado pela CIA no Brasil (sobre este link em especial: lembram da Venezuela em 2002? Honduras 2009? Equador 2010? Brasil 2011??? Se possível, procurem assistir o documentário The War on Democracy – A Guerra contra a Democracia).

Pior que tá fica, sim!, por O Bicicreteiro

Dois Projetos Radicalmente Diferentes, por Durval Muniz de Albuquerque Júnior.

Muito mais informação sobre as eleições no site da Revista Fórum.


Se fizer a barba, cai serragem

O título do texto é o que me vem à mente quando vejo a propaganda eleitoral de certos candidatos. Conto um breve caso que me aconteceu no início de 2010, para que o leitor entenda o que quero dizer.

Moro numa cidade chamada São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre. Nosso prefeito se chama Ary Vanazzi e seu vice, na época, era Alexandre Roso, ou melhor, Doutor Alexandre Roso. Digo na época porque hoje ele é candidato ao cargo de deputado federal. Alexandre é médico, diz que sempre lutou pela saúde no município e que implantou várias coisas na cidade e, acredito eu, agora quer levar isso a nível federal. Segundo seu site, foi o responsável por denunciar um esquema de corrupção na cidade que levou à prisão 12 vereadores (alguns pelo visto já estão soltos, pois os vejo na rua). Foi um ato de coragem e admirável por isso, devo lembrar.

Tendo um médico como vice-prefeito da minha cidade me fez acreditar que, ao menos em termos de saúde, estávamos em boas mãos. Leve engano meu. Em janeiro deste ano caí de bicicleta e fraturei a clavícula. Como estou acostumado a fazer sempre que caio, levanto imediatamente e vejo como estou. Sentindo que o braço esquerdo não estava lá muito bem, empurrei minha bicicleta até o Hospital Centenário, o único público da cidade. Me puseram em uma maca e, depois de cerca de TRÊS HORAS, fui informado que não havia UM traumatologista sequer em TODO o hospital naquele sábado pela manhã. “Um hospital sem traumatologista? Estranho isso”, pensei. Para encurtar a história, fugi do HC (sim, ainda por cima registraram fuga porque não tinham condições de prestar atendimento emergencial) e consegui me deslocar até um dos hospitais públicos de Canoas, cidade que fica há uns 20 Km de São Léo e, em MEIA HORA, eu já havia recebido atendimento e me dirigia para casa.

Não sei se foi azar o meu ou o que. É inadmissível em qualquer posto de saúde que os primeiros socorros não sejam prestados, e em um hospital então? Sim, nem os primeiros socorros foram prestados, pois continuei com meus ferimentos imundos de terra nas três horas em que me deixaram esperando. Não fosse minha paciência ter esgotado, não sei mais quanto tempo teria ficado lá, jogado ao lado de várias outras pessoas a espera de atendimento. Eu consegui sair de lá. Os outros não.

Ok, entendo que questões relativas ao Hospital Centenário sejam mais uma responsabilidade do secretário de saúde que do vice-prefeito. No entanto, leio o seguinte no site do próprio candidato: “A partir de 2009, Dr. Alexandre Roso acumulou ao cargo de vice-prefeito e o de Secretário de Saúde de São Leopoldo”.  Mesmo que não houvesse nenhum médico ocupando um cargo público na cidade, os serviços tinham que ser igualmente impecáveis. O fato do vice-prefeito E secretário de saúde ser médico apenas agrava a situação pois, ao invés de fazer ainda mais pela saúde, o que vi lá dentro foi descaso. Saúde é um ponto muito sério para toda a população e saúde pública, especialmente, tem ainda mais importância. Não são todos os que têm condições de pagar por um bom plano de saúde e por isso a população deve exigir que os serviços prestados pelo hospital da cidade sejam de qualidade. Não sou um caso isolado. Dois amigos meus já precisaram ficar internados lá. Um teve que ser transferido para Porto Alegre e o outro me contou que quase se foi por conta de uma hemorragia interna que, ao que parece, demorou para ser descoberta. Ambos estão vivos, também é claro, graças ao trabalho dos médicos, incansáveis e, muitas vezes, mal valorizados. Mas sempre lutando pela vida de quem precisa!

Então eu penso se é um político assim que eu quero lá em cima, me representando. O Dr. Roso que me desculpe, embora eu não faça muita questão, mas minha aversão à ele está mais que justificada. Este que vos escreve não conhece o seu trabalho como médico, apenas como político. Fazer anti-campanha não é algo que me agrada muito, não, pois pode parecer que quero denegrir a imagem de alguém. Não, nada disso!  O que faço aqui nada mais é que um contraponto aos sorrisos, promessas e apertos de mão. Baseado em fatos e com a única intenção de expôr o trabalho já realizado na vida pública de um dos candidatos.

Mas justiça seja feita. Sinto-me na obrigação de, após descer a lenha no Alexandre Roso, destacar algumas coisas positivas feitas por ele pela saúde no município. Segundo informações de seu site (http://www.alexandreroso.com.br/). Caso alguém conheça fatos que comprovem o que existe lá e/ou queira adicionar algo, peço que compartilhe conosco nos comentários. Como comentei no início do texto, o Alexandre foi o vereador que denunciou o esquema das fitas em São Leopoldo. Este foi um esquema de corrupção na cidade onde diversos vereadores receberam propina para eleger Joni Homem como chefe da casa (estou correto?). Ao todo, segundo foi noticiado, 12 desses vereadores foram presos. Isso foi em 2002 e muitos já devem estar soltos agora. Devo admitir, ato de coragem este o do Alexandre Roso, pois mexer com essa gente e ter que lidar com ameaças de morte não é brincadeira pra qualquer um. Um ato desses numa situação como a que li ontem no Observatório da Imprensa seria louvável (leia depois e com calma, mas não deixe de ler)!! Já na área da saúde, Alexandre tem focado seu trabalho na prevenção de doenças e dobrou o número de unidades de saúde com médico, de 14 para 31. Diz lá também que aumentou o salário dos servidores da saúde e  melhorou as condições de tragalho (o que infelizmente não condiz com a realidade), além de ter ampliado o número de unidades de saúde com Estratégia de Saúde da Família.

Agora mudando um pouco de assunto mas não de foco, ante-ontem a noite peguei os minutos finais de uma entrevista que o José Serra dava ao Jornal da Globo e lembro que ele, ao invés de apresentar boas propostas, se preocupou em atacar a Dilma. Dilma Rousseff é a candidata do povo mas seu vice, Michel Temer, é do PMDB, partido elitista. O PMDB, por sua vez, é o partido do candidato a governador do RS José Fogaça  (de novo, leia aquele artigo do Observatório da Imprensa e tire suas próprias conclusões). Fogaça é adversário do petista Tarso Genro. Pergunto: se isso tudo não for apenas um jogo de interesses, é o que?

Está na cara que tanto faz quem ou qual partido esteja no poder. Quem vai continuar mandando no Brasil serão grandes corporações que injetam dinheiro no governo e em campanhas esperando algo em troca. Basta olhar em volta! O presidente Lula e depois, caso eleita, Dilma Rousseff, defendem a unhas e dentes a construção da usina de Belo Monte (que construtora não gostaria de faturar alguns bilhões?). Caso isso ocorra, corre-se o risco de conflito entre indígenas e operários. Esse é o nosso governo que muito lembra a colonização por espanhóis e portugueses da América Latina: exterminar o povo local em nome do “progresso”. Para saber mais sobre a quantas anda Belo Monte, siga @PareBeloMonte.

Triste saber que muitos candidatos na tua frente sorriem mas depois esquecem de suas promessas.  Não gosto da idéia de votar no menos pior. É como diz um amigo meu, “não curto meia foda”. Por conta disso, sigo sem candidatos. Voto nulo ou não voto, mas meus princípios eu não traio.

Uma observação. Caso alguém queira colaborar com essa que espero ainda chamar de série “Se fizer a barba, cai serragem” , enviando uma experiência vivida com algum político ou revelar fatos com fins de esclarecimento, sinta-se convidado(a). Só deixar um comentário (com o campo e-mail preenchido) que entro em contato. Só não vale ofenSas, difamações e coisas do tipo. Apenas FATOS.


E meu voto não vai para…

As eleições presidenciais são só no ano que vem, mas eu já desconfiava que a minsitra Dilma Rouseff não seria merecedora do meu precioso voto. Essa declaração apenas confirma o que já suspeitava. Francamente, hein ministra? Andaste tomando laxante pra língua?


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