A killing machine
Confesso e com orgulho: sou um puta fã do Deep Purple. Mas também preciso confessar que a letra de uma de suas mais famosas músicas, Highway Star, tem me gerado certo desconforto ultimamente. Ela retrata o automóvel como uma killing machine, uma máquina de matar. Não vou deixar de gostar da música JAMAIS, mesmo sabendo o que ela representa. Mas quando li essa reportagem, imediatamente me lembrei dela. Lembrança ruim, não?
E o pior de tudo foi imaginar aquela cena, movida pela sede de sangue…
O trânsito no sentido interior-capital encontrava-se, às 8h30, prejudicado pela curiosidade dos motoristas que passavam pelo local. Até essa hora, a polícia ainda aguardava a remoção do corpo do ciclista pelo Departamento Médico Legal.
A chamada da notícia já dá uma idéia do que realmente importa: “Trânsito é normalizado após morte de ciclista na BR-116 em Esteio“. Ah, a fluidez, sempre ela. Uma vida não, mas os engarrafamentos sim fazem a roda do consumismo parar. O mesmo jornal que publicou essas notícias já foi [ironia] carinhosamente [/ironia] citado neste blog, dada sua grande habilidade em se contradizer.
Nada de novo no front
E falo de front no sentido literal da palavra, pois é isso o que nossas ruas e avenidas são: verdadeiros campos de batalha. Ontem, ao passar os olhos pelas páginas do nosso [ironia] grande [/ironia] Jornal VS, vi um título que chamou a atenção: “Morre ciclista vítima de acidente”. Bem, de uns tempos pra cá, tudo que é notícia que envolve a bicicleta, sejam as tristes ou as felizes, eu leio.
A vida é mesmo uma escola onde todos são professores e alunos. Sou do tipo meio porra-loca, só paro diante da faixa de segurança se percebo que o motorista não vai conseguir parar, da mesma forma como, quando pedalando, respeito e exijo o mesmo. E por isso é muito triste ver quando alguém morre não por causa de um acidente, mas por pura falta de educação.
Nos centros de formação de condutores, os instrutores pregam muito a tal da “direção defensiva” que, na verdade, serve mais para proteger quem está dentro do veículo do que os que estão fora. E foi justamente o caso que resultou na morte desse senhor de 63 anos que trafegava pelo Morro do Espelho. Aos motoristas: ao sair do automóvel, em uma avenida movimentada, você olha o retrovisor? E quando a rua está mais calma, você olha? Então é bom começar a olhar, antes que seja o responsável por mais uma morte no trânsito, assim como aconteceu com o seu Adão.
Sempre procuro trafegar há mais ou menos um metro de distância dos automóveis estacionados porque sempre tem um “desatento”.
