Café do Brasil
Na última quinta-feira estava ouvindo o podcast do Luciano Pires chamado Café Brasil. Confesso que alguns programas anteriores não tinham me chamado muito a atenção, mas este último, sobre a MPB, ouvi até o final. O Luciano tem uma palestra chamada Brasileiros Pocotó, na qual ele critia a influência que a grande mídia exerce sobre as pessoas, muitas vezes nos levando a gostar de coisas absurdas, como o nome da palestra sugere.
Dono de um ponto de vista radical, metendo o pau na música que hoje é consumida pela massa, o Luciano leva o ouvinte para uma viagem no tempo justamente pela música que sempre foi consumida pelo grande público. Até a década de 1990 ele consegue identificar poesia nas músicas. O problema é que, ao chegar nos anos 2000, temos a Eguinha Pocotó – nada poético, diga-se de passagem.
Não concordo nem discordo desse ponto de vista, muito pelo contrário!* A MPB é a música brasileira ouvida pela maiorida da população, por isso que é popular. Se essa música é ruim ou se há90 anos atrás tinha poesia e, por isso, era boa, não nos cabe julgar. Tudo no mundo evolui e acredito que esse tal de funk carioca retrata muito bem o caos em que a sociedade moderna vive. Os funkeiros do morro, por mais anti-musicais que sejam, demonstram isso melhor que John Cage.
Para meus ouvidos, preferiria que essa música permanecesse no local que é seu berço ao invés de invadir os porta-malas mundo à fora. E é graças à esta minha forma de pensar que hoje Noel Rosa é compositor de elite, de gente da grana que pode ir ao teatro e, por R$ 150, assistir o Chico Buarque cantando música sobre a parcela mais pobre da população. O Luciano que me desculpe, mas se essa MPB que ele tanto admira fosse mais acessível, possivelmente não estaríamos imersos em todo esse caos.
A inovação musical sempre esteve um passo à frente dentro dos aglomerados pobres das cidades. Em fins do século XIX e começo do XX, a elite ia para a ópera enquanto que o povão curtia um bom samba-canção. Hoje o velho samba já pode ser ouvido em estabelecimentos chiques. Será este o futuro do funk carioca?
Agora tem um ponto que preciso concordar com o Luciano Pires. Nunca a grande mídia emburreceu tanto a população como nos últimos anos. É ela, aliás, que manda no Brasil. Presidentes, governadores e prefeitos são meros fantoches de redes televisivas como a Globo e do lobby automobilístico. Criando novas necessidades essenciais para nossa sobrevivência, primeiro consumimos para só depois nos preocupar com a saúde do planeta.
Clique e ouça o podcast Café Brasil – Eme Pê Bê, por Luciano Pires.
* – Uma frase bem-humorada do amigo João Gabriel
