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Educação, Atenção e Trânsito

Vovó já dizia: educação e caldo de galinha não fazem mal à ninguém. Estudos recentes confirmaram que o caldo faz mal sim, à galinha, mas isso não vem ao caso agora. No momento gostaria apenas de compartilhar minhas divagações depois de presenciar, no último sábado, o atropelamento de um ciclista por um automóvel lá aonde termina o bairro Feitoria, em São Leopoldo (RS). Felizmente não foi nada grave, o senhor que conduzia a bicicleta caiu por cima do capô do carro após bater com a roda dianteira. O carro estava em baixa velocidade, o que certamente evitou ferimentos mais graves.

Quero ressaltar, antes que o leitor ciclo-ativista xingue o condutor do automóvel, que o acidente só ocorreu porque o senhor da bicicleta não prestou devida atenção ao trânsito e invadiu a pista contrária. Digo isso porque o que leio por aí, às vezes, me passa a impressão de que o ciclista é sempre a vítima e o motorista é sempre o vilão (embora seja essa a realidade na maioria dos casos). É sabido que a bicicleta não é um caso especial de transporte só porque não é motorizada, como diz no código de trânsito brasileiro. Isso implica no ciclista possuir deveres e direitos – e de nada adianta exigir direitos sem antes cumprir os deveres.

Aqueles que já freqüentaram um centro de formação de condutores sabem (ou ao menos deveriam saber) o que significa o termo “direção defensiva”. Embasado nesse termo, posso dividir os ciclistas em duas categorias: os que têm ciência de sua participação no trânsito e os que não têm. O primeiro tipo é aquele que se preocupa com sua segurança e a do próximo, respeitando a sinalização, prestando atenção em tudo o que está em sua volta e por aí vai. Já o segundo, no qual se enquadra o senhor que foi atropelado, considera que a sinalização de trânsito está ali exclusivamente para veículos automotores, ou seja, ele não precisa se preocupar se o sinal está vermelho ou se está pedalando na contra-mão.

Recentemente outro ciclista foi atropelado aqui na cidade, mas infelizmente não teve a mesma sorte  do senhor acima citado. No dia seguinte, li o depoimento do motorista no jornal. Ele dizia que o homem que conduzia a bicicleta mudou de faixa repentinamente sem olhar para trás. Como trafegava em uma rodovia onde a velocidade média é de 80 Km/h, não houve tempo para parar, ocasionando a fatalidade.

Se hoje a gangue do motor não respeita os ciclistas, em parte é porque o próprio ciclista não se dá o devido respeito. A internet é uma ferramenta excelente para a divulgação de informações, mas completamente inútil em certos casos: aquela pessoa que usa sua bicicleta diariamente para ir ao trabalho e não possui acesso à internet, como vai ter acesso à inciativas exemplares como a Escola de Bicicleta? Existe, no mundo inteiro, um movimento chamado Massa Crítica (no Brasil nós chamamos de Bicicletada), onde que, mensalmente, grupos de ciclistas se reunem para reivindicar seus direitos e mostrarem aos motoristas que as bicicletas também fazem parte do trânsito.

Existem normas no código brasileiro de trânsito que dizem, entre outras coisas, como deve ser feita a ultrapassagem de bicicleta, que é de 1,50m de distância e em velocidade reduzida. Embora a maioria dos motoristas sequer sabe da existência de tais normas, muitos são os que respeitam o ciclista (pelo menos por aqui). Se realmente houvesse o respeito mútuo, acidentes idiotas como este que presenciei não existiriam.


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