A criatividade humana parece não conhecer limites. Estava assistindo alguns videos de contrabaixo por esses dias e me deparei com um sujeito que construiu seu próprio instrumento em formato de caixão, muito apropriado para o bom humor do psychobilly. Então comecei a procurar outras bizarrices produtoras de som e encontrei algumas que compartilho aqui. Hoje, um post dedicado só aos contrabaixos!
Este é o “washtub bass”, um baixo vertical que usa um balde de metal como caixa de ressonância. Existem variações desse instrumento onde outros tipos de caixa são utilizadas, como baús, galões de gasolina ou mesmo as bombonas de água mineral, hoje muito comuns em residências. Há 50 anos atrás, obter um instrumento não era tão fácil como atualmente, era coisa para músicos profissionais ou gente que tinha dinheiro para gastar nisso. A saída era construir os próprios instrumentos e amplificadores. Na época dos Quarrymen, Stuart Sutcliffe usava um “tea chest bass” (como contado na biografia Lennon, de Philip Norman e visto no filme Nowhere Boy), assim como muitos outros músicos do skiffle e do folk estadunidense. Embora seja possível construir estes instrumentos com quatro cordas ou mais, assim como com tarrachas para afinar, os mais comuns possuiam apenas uma corda e a nota desejada era alcançada aplicando mais ou menos tensão a um cabo de madeira flexível onde a corda é presa.
A música é dos Ramones, mas aí está um clássico “tea chest bass”. Logo abaixo, um instrumento bem menos comum, o baixo de galão d’água.
E como o cara o construiu (certo que vou construir um pra mim…)
Ron Carter é um dos mais importantes contrabaixistas/líderes/compositores no jazz. Nascido em Michigan em 1937, começou tocando violoncelo aos 10 anos de idade com o intuito de fazer carreira na música erudita. Aos 17 anos começou a tocar contrabaixo. Frequentou a Eastman School of Music, tendo se formado Bacharel em Música no ano de 1959. Se mudou para New York, tocou no Chico Hamilton Quintet e se inscreveu na Manhatan School of Music, onde concluiu seu mestrado em 1961. Depois de deixar o grupo de Hamilton, trabalhou como músico freelancer em New York, onde não só tocou com Don Ellis, Randy Weston, Thelonious Monk e Art Farmer, como também fez diversas aparições na televisão e gravações. Em 1963 se juntou ao Miles Davis Quintet, tendo permanecido no grupo até 1968. É de reconhecimento geral que essa formação, com Wayne Shorter, Herbie Hancock e Tony Williams, não só foi um dos melhores grupos a acompanhar Miles Davis, como também um dos conjuntos de jazz mais importantes da história da música. A banda gravou diversos álbums e fez turnês pelo mundo inteiro.
O fragmento de biografia acima é uma tradução livre do primeiro parágrafo do Building Jazz Bass Lines, um método escrito por Ron Carter lançado em 1998. Músico com uma das maiores discografias que conheço, seja como band leader ou como músico de apoio, Ron Carter possui um papel importantíssimo na história do contrabaixo da segunda metade do século XX até os dias de hoje.
Neste método, o mestre ilustra os conceitos básicos da criação de linhas de baixo dentro do blues e do jazz. Além dos ritmos abordados, há também dicas para a mão direita na hora de tocar em tempos rápidos e para o desenvolvimento de uma sonoridade mais limpa e precisa. O livro vem acompanhado de um CD com diversos play-alongs tocados pelo próprio Carter. Mesmo que o leitor não esteja familiarizado com o contrabaixo acústico, diria que este é um método indispensável, pois muito do que é ilustrado é amplamente usado no contrabaixo elétrico.
Ron Carter, Herbie Hancock e Billy Cobham tocando Little Waltz, uma das músicas transcritas no Building Jazz Bass Lines
“Tocar o blues foi um importante meio de sustento para muitos negros no começo do século XX, para não falar na possibilidade de ascenção social, mesmo que apenas dentro de suas próprias comunidades. Mas para os cegos, o blues era basicamente o único jeito de sobreviver.
Essa dor e angústia de uma vida cheia de privações e dificuldades ficou clara na voz de grandes heróis do blues rural, como Blind Lemon Jefferson, Blind Willie McTell e Blind Willie Johnson. E no caso de Johnson, há um agravante: ele nem sempre foi cego, acabou perdendo a visão numa briga entre a madrasta e o pai.”
Depois de quase nove meses sem atividade alguma aqui no blog, parece que a inspiração para escrever vem voltando aos poucos. Enquanto que em um caderno começo as anotações das minhas memórias musicais (gosto de recordar o passado, mas às vezes preciso de auxílio), aqui gostaria de voltar escrevendo apenas sobre música. Isso porque é tudo o que tenho feito desde que abandonei o blog, desconsiderando meu emprego na área de tecnologia da informação. Começo então com algumas impressões sobre gêneros, até como forma de exercício. Escrever, assim como tocar, não é como andar de bicicleta: se não praticamos com freqüência, esquecemos como se faz.
“Livre por natureza” é a melhor definição que posso encontrar para mais esta veia do jazz. Ou, como sugere o disco de Ornette Coleman que batizou definitivamente o estilo, “Free Jazz: a collective improvisation” (Free Jazz: uma improvisação coletiva). Isso significa que não cabe a mim definir se algo é “free jazz” ou simplesmente uma junção de músicos onde todos solam ao mesmo tempo. Meu questionamento aqui é a forma como músicos que se propõem a tocar compreendem o free jazz. Se um grupo de instrumentistas se junta, improvisa loucamente e chama isso de free jazz, ponto, não há discussão. O grande detalhe está em tornar a música algo que o público possa compreender e ouvir alguma coerência em meio àquele “caos”. E aqui entra outro ponto importante: para quem é feita a música? Para quem está tocando ou para quem está ouvindo de fora? Provavelmente é isso o que diferencia um bom free jazz de um ruim.
Em toda sua história, a música serviu para os mais variados propósitos, mas tudo se afunila em basicamente uma função, que é comunicar. Embora não signifique que o puro experimentalismo sem a intenção de passar alguma mensagem não seja música (a exemplo do Elektronische Musik, de Karlheinz Stockhausen), é preciso compreender as circunstâncias em que uma música é concebida. Falando em free jazz, onde teoricamente tudo é permitido, ao ouvir discos dos grandes do jazz como o já citado Ornette Coleman, Cecil Taylor ou Charles Mingus (minha primeira influência no contrabaixo acústico. As primeiras notas que toquei num foram algumas da introdução de Haitian Fight Song…), percebo que há (e muita!) coerência nas composições. Muitas vezes o tema está ali, por mais implítico que seja, e os músicos sabem de onde vieram, onde estão e pra onde vão. No meio disso tudo está o “free”. Ao contrário de outros sub-gêneros do jazz, onde a harmonia aparece bem definida pelos instrumentos que a compõe, o ritmo sempre bem acentuado pela percussão e cada um solando na sua vez, o free jazz quebra quase todas essas regras.
Um tema pode ter apenas duas notas, mas já é o suficiente pra se ter um fragmento de harmonia. É dentro disso, acredito, que acontece a viagem do free. Os músicos com suas polirritmias, variações de harmonia e acordes dissonantes estão sobre uma base, não estão tocando em cima do vácuo. Repare o friso na palavra “solam” do primeiro parágrafo. Uma base, por mais caótica que seja, ainda é uma base e não um solo. Acredito que o grande erro ocorre quando se confunde a função da base com a do solo numa composição. Obviamente, solos podem coexistir e não há problema nenhum nisso, mas quando todos os instrumentos do grupo passam a solar, isso provavelmente não vai soar muito bem. E aqui faço novamente a pergunta: para quem a música está sendo feita, para o músico ou para o ouvinte?
Para quem está tocando, pode ser muito divertido brincar com todas as escalas e ritmos possíveis enquanto se está fechado dentro de uma bolha, indeferente ao que está acontecendo em sua volta – mesmo que isso pareça mais um exercício de técnica que uma música. Mas nesse momento o músico deve se perguntar para quem ele está fazendo aquilo e, caso deseje que sua música seja apreciada por quem está ouvindo, é conveniente pensar no que ele quer transmitir. O free jazz continua sendo livre, não é como uma valsa que deixa de ser valsa quando se conta até quatro, mas existem alguns detalhes que, por algum motivo, estão em todas aquelas composições que caracterizam o free jazz como um estilo. De puro caos, basta a música que as metrópoles oferecem quando caminhamos por uma avenida movimentada.
Caminhar por aí, sem destino. Quanto tempo fazia? Ouvir o futebol com os amigos – nenhum de nós é fanático mas isso nos desperta interesse – numa praça que muito já fotografei, enquanto tomava uma tônica vagabunda. Pouca gente na cidade e aquele pôr-do-sol lindo no horizonte. Fiquei imaginando o quão magnífica não estava a orla do Guaíba naquele momento.
O 30 de janeiro merece ficar registrado aqui. Foram alguns anos e belas lembranças desse dia, que hoje preciso me esforçar para deixar no passado. Um ano do acidente, algumas dores ainda vêm dizer olá. E há outras dores, igualmente físicas, que me levam de volta a momentos felizes! Como pode um desconforto, de diferentes origens é bom lembrar, remeter à sentimentos ruins e bons ao mesmo tempo? Nesse 30 de janeiro, domingo, acordei perto das 6h da manhã para ajudar na mudança de um velho amigo, que foi embora para uma cidade distante. Mais uma despedida.
O sol nasce e se põe todo santo dia, vida vai passando. Sentir-se um espectador disso tudo não é tão bom assim. Pelo menos tem o vinho, a música e o resquício do último cigarro. Hora de deitar.
Aqueles que estão acostumados a comprar coisas usadas em brechós, sebos, lojas de discos e por aí vai, já devem ter se perguntado “de onde veio isso? Quem foi o antigo dono e qual a história desse livro/roupa etc?”. Todo objeto usado, por mais insignificante que pareça ser, tem algo pra contar e muitos, algum bom motivo para estarem sendo comercializados novamente. Às vezes aparece alguma preciosidade, algo de valor quase inestimável para quem é fã…
Reza a lenda que os músicos do Ten Years After se conheceram em uma parada de ônibus e, descobrindo que cada um tocava um instrumento diferende, resolveram formar uma banda. Ten Years After foi seu primeiro álbum, lançado em 1967. Estava na prateleira namorando uma reedição deste disco com várias bonus tracks, encarte grosso e cheio de fotos e informações. Então o atendente aparece com um “usado e mais barato”. Claro que, sendo usado, tem que dar uma conferida no estado de conservação. Abro o encarte e “porra, cara! tu viu isso??”.
Na internet posso baixar toda a discografia da banda que eu quiser, mas jamais teria a surpresa de pegar um CD fabricado na Alemanha Ocidental (1988), em excelente estado de conservação e o melhor: com dois ingressos para o show dos caras dentro do encarte! O antigo(a) dono(a) certamente era fã dessa banda pra ter guardado por tanto tempo algo assim. Este show aconteceu no Salão de Atos da Reitoria da UFRGS numa sexta-feira, 23 de maio de 1997 (a julgar pela confecção do ingresso, número de telefone impresso…).
Não encontrei qualquer referência sobre este show na internet, mas acredito que tenha sido um show de melhores momentos dos 30 anos de carreira da banda até então. O último disco a ser lançado havia sido o About Time, de 1989 (e que não é nenhum disco genial como os primeiros). Isso me leva a crer que, caso fosse uma tour internacional, não estava em promoção nenhum lançamento recente.
Fiquei imaginando como um pedaço de história desses foi parar numa loja de discos usados. Será que a pessoa morreu e algum familiar vendeu? Não sei se um familiar saberia do valor que um disco desses tem. Um relacionamento que a acabou e o disco, tendo sido esquecido na casa do ex-cônjuge, foi vendido como forma de vingança? Um assalto talvez? Ou simplesmente foi uma sequelada daquelas bonitas (se fosse pra vender o disco, guardaria comigo os ingressos)? Não sei, mas certamente darei continuidade na preservação disso.
Existem coisas que, por mais fáceis que possam ser, a internet jamais terá a capacidade de proporcionar. Por isso, deixo como conselho: visite regularmente sebos, brechós e lojas de discos usados. Faz bem. Mesmo. O mundo real continua sendo mais intressante que o virtual.
No último texto falei sobre um certo Bert Jansch e em como sua versão de Blackwaterside influenciou Jimmy Page na Black Mountain Side, do primeiro Led Zeppelin. Então agora gostaria de falar justamente sobre a banda deste indivíduo, The Pentangle. Comprei Basket of Light junto com o The North Star (…) da Sandy Denny (que também regravou a canção folclórica irlandesa Blackwaterside) lá na Jam Sons Raros. E devo dizer, que sonzeira!
O Pentangles é uma banda de folk rock inglesa, mas ao contrário da Sandy Denny, eles são bem mais experimentalistas. Unem elementos da música folclórica da Grã-Bretanha com a música indiana e o jazz. Isso para não falar do rock. Basket of Light é o terceiro disco do grupo, lançado em 1969. Apesar de dois anos “atrasado”, é clara a influência que a cena psicodélica da San Francisco de 1967 tem sobre este disco. Alguns licks de guitarra e até mesmo a forma como Jacqui McShee canta me lembrou muito Jefferson Airplane.
Entretanto, existem fatores que os tornam algo muito além de uma banda que apenas lembra Jefferson: seu som é único. Pessoalmente, nunca antes tinha ouvido uma banda com uma sonoridade tão rica dentro do gênero folk como fazem o Pentangle. A começar pelo contrabaixo, não apenas é um acústico como em boa parte das músicas o baixista Danny Thompson toca com o arco, algo muito raro de se encontrar fora do meio erudito, ainda mais em se tratando de rock. E mais: ao invés de sintetizadores, por que não explorar o potencial do grandão tocado com arco para criar alguns efeitos? Pois é justamente isso o que acontece.
Quebradas típicas do rock progressivo (como Yes, ELP, Genesis…) também são marca registrada deste disco. Mas a grande diferença é que tais quebradas são seguidas pela voz doce de Jacqui cantando a melodia, como se pode ouvir na música The Cuckoo. O bluegrass é outro gênero que se faz presente na banda através do banjo de Bert Jansch. E o mais legal é ouvir um instrumento desses tocando em conjunto com uma cítara! A faixa seguinte, House Carpenter é assim. Outro instrumento pouco comum utilizado pelo Pentangles é o Glockenspiel, um instrumento que se assemelha ao xilofone e ao vibrafone, mas que, diferentemente do primeiro, possui placas de metal ao invés de madeira. E diferente do vibrafone pois possui uma tessitura menor, dando ênfase à região mais aguda.
A seguir, uma livre tradução das notas originais de cada música contidas no disco. Só não traduzo aqui os nomes das músicas, como as indústrias brasileiras dos anos 1970/1980 gostavam de fazer e, não raro, via-se bizarrices do tipo Sabbath Bloody Sabbath = Sábado, Sangrento Sábado.
Light Flight (Tema de “Take Three Girls): essa música foi tema da série de TV Take Three Girls, veiculada pela BBC-1. A série foi a primeira em cores que passou pela BBC. A música passeia entre os tempos de 5/8, 7/8 e 6/4. Algo que soa muito bem, fantástico e sem parecer uma forçada de virtuosismo. N.T.
Once I Had a Sweetheart: uma famosa variante americana da canção tradicional inglesa A Maid Set A-Weeping, com adição de versos de As Sylvie Was Walking, músi caregional do sudoeste da Inglaterra.
Springtime Promises: Escrita depois de uma viagem no andar de cima de um ônibus linha 74, de Gloucester Road para Greencroft Gardens, no início de uma primavera.
Lyke-Wake Dirge: Um antigo poema inglês que fala sobre a evolução da alma no pós-vida. Sua mensagem data de milhares de anos antes do Cristianismo, mas a idéia se preservou através das rodas de música de crianças como Hopscotch e London Bridge is Falling Down.
Train Song: Um lamento sobre o trem a vapor que vai passando. O título do disco vem de um verso desta canção.
Hunting Song: É baseada na história de um recipiente para bebidas feito de chifre de um bovino que é mágico (magic drinking horn) e foi enviado pela fada Morgana para a corte do Rei Artur, prevendo os incidentes em suas jornadas.
Sally Go Round The Roses: Uma música dos Jaynetts, que parece ter sido esquecida tendo deixado para trás alguns sons agradáveis e gente triste.
The Cuckoo: Uma canção folk de Somerset a qual Bert Jansch aprendeu com seus vizinhos em Sussex.
House Carpenter: Uma balada do sul dos Estados Unidos derivada da canção folk inglesa The Daemon Lover, na qual o amante é o diabo personificado.
O Pentangle é formado Terry Cox na bateria, glockenspiel e percussões; Bert Jansch no violão, banjo e vocais; Jacqui McShee nos vocais; John Renbourn no violão, cítara e vocais e Danny Thompson no contrabaixo acústico.
Late November abre o disco The North Star Grassman and The Ravens de Sandy Denny, uma das expoentes do folk britânico dos anos 1970. No hemisfério norte, novembro é um tempo de frio, e o frio traz consigo certa instrospecção. E é bem este o clima de The North Star, onde até mesmo as músicas mais alegres possuem um ar melancólico.
Mas mais que falar sobre este excelente disco, gostaria de contar a história de como ele veio parar nas minhas mãos. Pois é, não estou falando de um disco que baixei na internet, falo de um disco de verdade, um daqueles pequenos objetos que contém música, encarte de papel com letras, fotos, informações sobre o artista e que eram muito populares no século passado.
Ao sair mais cedo do trabalho, dei uma passada na Jam Sons Raros de Novo Hamburgo. Há meses que não comprava um disco, então decidi me dar este presente de natal. Sem saber exatamene o que queria, fui olhar a prateleira onde ficam os discos de folk atrás de, de repente, algum Neil Young, um The Band ou algo do gênero. Então o atendente, um verdadeiro “livreiro” do seu meio, me mostrou este Sandy Denny, perguntando se eu a conhecia. O nome não me disse muita coisa de imediato, mas rapaz logo me lembrou que ela é quem faz o dueto com Robert Plant em Battle of Evermore, do Led Zeppelin IV. Ouvi, gostei e comprei.
Naquele momento me dei conta da magia de ir até uma loja de discos, conversar com o vendedor sobre o assunto e aprender coisas que sozinho provavelmente não descobriria. Ter um disco em mãos também gera uma certa obrigação de ler o encarte e aprender mais sobre aquela obra e o artista que a compôs. Coisas como essa praticamente não acontecem mais com este advento que é baixar música pela internet. Somente os mais aficcionados correm atrás de informações sobre determinado album, isso quando baixam o álbum completo ao invés de uma ou duas músicas. Também sou uma vítima da internet e da facilidade de encontrar as coisas que ela proporciona, pois é tanta música que não tem como ouvir tudo. Com um disco é diferente: você coloca ele no aparelho de som e ouve do início ao fim, pelo menos uma vez. E enquanto ouve pode ler e aprender.
Sandy nasceu e morreu em Londres (1947 – 1978), vítima de uma hemorragia no cérebro decorrente de uma queda de escada. Filha de mãe musicista, estudou piano clássico na infância. Na Kingston Art College, teve como colegas Eric Clapton e Jimmy Page. Acredito que date dessa época sua amizade com o guitarrista, já que anos depois ela faria sua participação como convidada na banda (a única convidada que o Led Zeppelin teve em toda sua discografia). Sandy também passou pelo Fairport Convention. Nos menos de dois anos que ela ficou com o grupo, foi responsável por transforma-los naquilo pelo qual hoje são conhecidos: os inventores do folk rock britânico. Isso foi lá nos idos de 1968. Três anos mais tarde, em 1971, Sandy lançava seu primeiro álbum solo, The North Star Grassman and the Ravens.
Outro fato curioso que consta no encarte é que “a única canção folclórica do álbum é Blackwaterside (que ficou muito mais famosa com Jimmy Page no Led Zeppelin)”. Fiquei curioso para saber que música é essa, pois não me lembrava do Zeppelin ter uma com este título. E realmente não tem. Pesquisando a respeito, descobri que a música a qual o encarte se refere é, na verdade, Black Mountain Side. Page se inspirou de fato nesta canção chamada Blackwaterside, mas não na versão de Sandy Denny. Isso seria simplesmente impossível já que a de Denny é de 1971 e a do Zeppelin de 1968 (ano da gravação). Jimmy Page se inspirou na versão de Bert Jansch, do seu disco Jack Orion, de 1966. [Fonte]
Além de sua passagem pelo Fairport Convention e a participação no Led Zeppelin, Sandy também fez parte do Strawbs e do Fotheringay. Estes dois últimos não conheço, preciso ouvir! Em The North Star há uma boa variedade de sons, mas claro, tudo voltado para o folk. Sandy não toca, apenas canta em sete das 11 músicas do disco. Nas demais, toca piano ou violão de aço. Sua banda é basicamente composta por Richard Thompson na guitarra/violão de aço, Trevor Lucas no violão de aço, Pat Donaldson no baixo e Gerry Conway na bateria. Outros músicos participam de algumas faixas.
Sabe, comprar um disco importado, hoje, não é coisa que muitos podem se dar o luxo. Não é algo que sai barato, principalmente se compararmos aos custos de baixar um disco pela internet: centavos. Entretanto, veja só tudo o que acompanha um disco ao ponto de me fazer escrever sobre ele. Sempre gostei de comprar discos e provavelmente continuarei fazendo isso até o fim da vida. Em tempo: esta não foi minha única aquisição. Junto vieram um The Pentangle e um Ten Years After. Mas isso já é conto pra dois posts que estão por vir.
Passar o verão na cidade é brabo, todos sabemos. Poucos amigos, calor dos infernos. E pior ainda é quando não tem nada pra fazer, a não ser se gelar nos botecos da cidade. Foi pensando nisso que apostamos em algo diferente para este próximo janeiro: durante todas as quintas-feiras do mês, traremos muito Rock and Roll para todos! Segue o serviço:
Elton Pradi Rockabilly Band todas as quintas-feiras de janeiro no Armazém San’Lou, em São Leopoldo (Rua Lindolfo Collor, 325 – Centro. Fone 3568-8659).
Em nosso repertório, mestres do Rock and Roll como Elvis Presley, Gene Vincent, Johnny Cash, Carl Perkins, releituras “rockabilísticas” de Replicantes e Camisa de Vênus e claro: sons autorais do caubói urbano, o galo cinza, Elton Pradi (ouça a música Que Tipo de Maluco É Você?). A banda ainda conta com Tiago Noswitz na bateria e José Baronio no contrabaixo acústico.
Essas serão festas da música independente, onde músicos poderão levar suas músicas para discotecagem ou, caso queiram, apresenta-las ao vivo mesmo! E sempre é bom lembrar: até as 23h as meninas não pagam entrada!
O video acima é uma entrevista concedida por Julian Assange, fundador do WikiLeaks, ao TED. Para ver as legendas, cliente em View Subtitles e selecione o idioma desejado. Via Diário Gauche.